Pouco mais de 6 km separam a Escola Estadual Professor
Adalberto Prado e Silva e a Unicamp, em Campinas (SP). Ambas são instituições
de ensino públicas geridas pelo governo paulista. Mesmo assim, com tanto em
comum, um abismo separava as duas. Até pouco tempo atrás, um aluno do ensino
médio de uma nem sonhava em cursar qualquer coisa na outra.
Vitor Santana Costa, 16 anos, quer mostrar que não é bem
assim. Mesmo tão jovem – o estudante pulou a 1ª série do ensino fundamental -,
ele é um dos 97 estudantes oriundos de escolas públicas aprovados no curso de
medicina da Unicamp neste ano. Sim, o jovem cursou todo o ensino médio na
Escola Estadual Professor Adalberto Prado e Silva, na vila Costa e Silva, em
Campinas, e agora é um calouro em um dos melhores cursos de medicina do país.
“Os professores fazem a diferença. Eles incentivam os alunos
a estudar. Os professores não ficaram acomodados com a falta de qualidade do
ensino público. Eles lutaram para poder dar o melhor de si e conseguem
influenciar a vida dos jovens”, diz.
Criado pelos tios: Não faz muito tempo que Vitor se mudou
para Campinas. Ele, seus tios e três primos vieram da Bahia em 2013, em busca
de mais oportunidades. Desde pequeno, o estudante mora com a tia e o tio, já
que a mãe sofre de depressão e não pode criá-lo.
Nascido em Ribeira do Pombal, Vitor também morou em Camaçari
antes de se mudar para Campinas. E foi na casa dos tios que começou a tomar
gosto por estudar. Sua tia é professora por formação e o alfabetizou ainda
criança. Por causa disso, acabou fazendo uma prova quando tinha seis anos e
pulou a 1ª série do ensino fundamental.
Hoje em dia, em Campinas, seus tios fazem o que podem para
criar a família. “Minha tia trabalha numa pizzaria e meu tio num callcenter de
noite e de dia em um grande supermercado. Eles estão bem emocionados. Viram que
o que fizeram por mim trouxe resultado”, diz o futuro médico. Por Thiago
Varella, colaboração para o UOL, em Campinas (SP)
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